#Fotos Silêncio

Fotos realizadas por Marcela Mattos em fevereiro de 2005, especialmente para a mostra de arte “Minha Boca Muda Grita em Sua Orelha Surda”, que aconteceu dentro do Festival feminista LadyFest, em São Paulo, organizado pelo Portal Quitéria.

…:: silêncio ::
A idéia inicial aqui era escrever do que se trata esse trabalho, o que essas fotos e sons querem dizer e porque resolvi expressar o que penso sobre a violência sexual dessa forma.. Mas.. usando o clichê de que “uma imagem vale mais que mil palavras”, prefiro deixar que elas falem por si só..

Durante toda realização desse projeto sinto que passei por uma experiência incrível, que me fez concretizar ainda mais algumas opiniões que tenho a respeito desse tema. Por isso achei importante falar dos bastidores.. Antes, durante e depois das fotos, exatamente os momentos que permanecem em silêncio depois da obra pronta.

Ao convidar as meninas para fazer as fotos, expliquei a idéia, falei do sentimento que queria expressar e porquê. A princípio rolou uma grande dificuldade… Mas assim que começamos a conversar sobre o tema o clima de brincadeira deu lugar a momentos de introspecção. Momentos onde cada uma com certeza pôde entender muito do que é ser mulher e ter a necessidade de estar sempre alerta, lidando com situações incômodas e descobrindo formas de enfrenta-las.

Apenas falar sobre abuso sexual pode parecer banal e não ter nada de prático, mas pode também ser uma ótima forma de fortalecer e entender muitas coisas que permeiam a questão. A sensação de alívio que sentimos – eu e todas que colaboraram – após os ensaios fotográficos e a gravação do som prova que falar sobre a questão pode, sim, ser um passo inicial para enfrenta-la.

Toda mulher que já se sentiu vítima de algum tipo de violência sexual tem uma noção bem forte do que são sentimentos como raiva e angústia. Basta lembrar de uma situação para essas emoções aflorarem e vir à tona para denunciar a angústia que se sente quando se percebe que não é totalmente dona de seu corpo.

A verdade é que não existe mulher que não tenha, em algum momento de sua vida, sido vítima de alguma forma de violência – seja física, moral ou verbal – pelo simples fato de ser mulher. Todas, se pararem para pensar vão lembrar de algum momento em que se sentiram constrangida com algum comentário masculino nas ruas, ou de um parente que dispensou um tratamento “diferente” na infância, ou mesmo de um namorado que não respeitou limites. Fato é que a violência está também nas pequenas coisas, nos momentos do dia-a-dia, nas piadinhas e conversas, na mídia… E ninguém vai te explicar o que é ou não é uma violência contra o seu corpo! Muitos vão até querer palpitar sobre o que deve ou não ser considerado uma discriminação, mas o que é válido é o que você sente. Você é quem sabe quando se sentiu desrespeitada ou quando foi vítima de abuso.

*Marcela Mattos é jornalista e fotógrafa. Militante feminista autônoma

#Fotos Fragmentos, emoções, movimentos e revolução

Fotos por Marcela Mattos

Dominatrix (SP) Junho / 2004 Festival sinfonia de cães -Tietê

Biônica (SP) Junho / 2004 Festival Sinfonia de cães – Tietê

Dramaqueen (SP/SP) Setembro / 2004 Show no Outs

She Devils (Argentina) Março / 2005 LadyFest – Hangar

She Devils (Argentina) Março / 2005 LadyFest – Hangar

Cansei de ser sexy (SP/SP) Março / 2004 LadyFest – Outs

Cansei de ser sexy (SP/SP) Março / 2004 LadyFest – Outs

The Haggard (EUA) Novembro / 2003 Festival HardGrrrls – Hangar

Dominatrix (SP/SP) Novembro / 2003 Festival Hard Grrrls – Hangar

Dominatrix (SP/SP) Março / 2003 LadyFest – Hangar

Hats (SP/SP) Fevereiro / 2004 Outs

Hats (SP/SP) Fevereiro / 2004 Outs

Hats (SP/SP) Agosto / 2002 Las Senhoritas – Hangar

Hidra (SP/SP) Setembro / 2004 Lançamento Dykon Records – Hangar

Hidra (SP/SP) Março / 2005 LadyFest

Dominatrix (SP/SP) Setembro / 2004 Lançamento Dykon Records – Hangar

Anticorpos (Praia Grande/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

The Dealers (SP/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

Santa Claus (SP/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

Cínica (SP/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

Cínica (SP/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

Miss Junkie (SP/SP) Março / 2006 LadyFest – Hangar

Mercenárias (SP/SP) Novembro / 2005 Mix Music (Festival Mix) – Galeria Olido

#Fotos Não Amor

Fotos: Carol Doro
Modelo: Priscila Tomate

Manifesto do NÃO AMOR

POR PRISCILA TOMATE

A idéia inicial desse ensaio fotográfico surgiu bem antes da minha gravidez. Era uma vontade de expressar, de alguma forma, um sentimento latente de aprisionamento, em diversos sentidos, presente em nosso cotidiano, muitas vezes através de amarras sutis, que justamente por serem amarras NÃO declaradas nos confundem e tecem um emaranhado difícil de escapar, mas necessário combater. Conforme minha barriga foi apontando para frente senti chegar mais um momento em que era preciso LUTAR para simplesmente SENTIR. Era mais uma fase em que nossas mentes e corpos foram aprisionados… Através de discursos, dados, números perfeitos que não sabemos se poderemos atingir e que muitas de nós, sequer ousam questionar. Um medo legitimado que aniquila qualquer possibilidade de vir a tona instintos já tão adormecidos, numa fase em que estamos absolutamente atentas ao nosso corpo e tantas sensações. Fizeram-nos sentir incapazes de agir de acordo com aquilo que NUNCA FOI ENSINADO. Continuamos nascendo assim, crescendo e nos relacionando: entregando a terceiros a responsabilidade e o delírio de VIVER. Portanto, o NÃO AMOR representa para mim, o contrário da vida, diferente da MORTE, que significa renovação. NÃO AMOR é tudo aquilo que impede o percurso natural das coisas, fazendo obedecer a um ritmo forçado, outro tempo, de outros interesses. É a inibição do pulsar espontâneo presente em todas as coisas vivas e MAGICAMENTE LIVRES. Mas é também o mesmo NÃO AMOR causado pelo asfalto estéril, que rompe um ciclo, que impede a terra de ser forrada por folhas, a semente de ser acolhida e germinar, a chuva de escorregar até as raízes e os alimentos de caírem do céu. Esse é apenas um sussurro dos gritos que estão por vir, de uma voz que NÃO vai calar. NÓS vamos agarras as escolhas que NÓS queremos. Fazer silêncio ou barulho que NÓS acharmos que devemos. SER LIVRE É SER CRIATIVO.

POR CAROL DORO
O convite para realizar esse ensaio fotográfico, me permitiu expressar em uma linguagem especifica, sem
padrões ou regras, mas com muito experimentalismo, questões que nos engolem diariamente. Mais uma vez
através da fotografia foi possível criar e representar com simples recursos uma forma de ver, de sentir e de
manifestar. A visão que tive desse ensaio, é embasado em uma experiência verdadeira de uma gestante que antes mesmo de estar grávida certos pensamentos já permeavam sua mente, a partir do momento que se dá conta acentua-se a sua forma de repensar o mundo e como as amarras estão presentes em nossas vidas, e que a todo o momento tentamos nos livrar delas, o que acreditamos que é o amor, nem sempre é o amor de verdade, são amarras
que a sociedade nos coloca e assim crescemos lutando o tempo todo contra elas.Fotografias embasadas no Manifesto do Não Amor
idealizado e escrito por Tomate (modelo das fotos).