#Fotos Não Amor

Fotos: Carol Doro
Modelo: Priscila Tomate

Manifesto do NÃO AMOR

POR PRISCILA TOMATE

A idéia inicial desse ensaio fotográfico surgiu bem antes da minha gravidez. Era uma vontade de expressar, de alguma forma, um sentimento latente de aprisionamento, em diversos sentidos, presente em nosso cotidiano, muitas vezes através de amarras sutis, que justamente por serem amarras NÃO declaradas nos confundem e tecem um emaranhado difícil de escapar, mas necessário combater. Conforme minha barriga foi apontando para frente senti chegar mais um momento em que era preciso LUTAR para simplesmente SENTIR. Era mais uma fase em que nossas mentes e corpos foram aprisionados… Através de discursos, dados, números perfeitos que não sabemos se poderemos atingir e que muitas de nós, sequer ousam questionar. Um medo legitimado que aniquila qualquer possibilidade de vir a tona instintos já tão adormecidos, numa fase em que estamos absolutamente atentas ao nosso corpo e tantas sensações. Fizeram-nos sentir incapazes de agir de acordo com aquilo que NUNCA FOI ENSINADO. Continuamos nascendo assim, crescendo e nos relacionando: entregando a terceiros a responsabilidade e o delírio de VIVER. Portanto, o NÃO AMOR representa para mim, o contrário da vida, diferente da MORTE, que significa renovação. NÃO AMOR é tudo aquilo que impede o percurso natural das coisas, fazendo obedecer a um ritmo forçado, outro tempo, de outros interesses. É a inibição do pulsar espontâneo presente em todas as coisas vivas e MAGICAMENTE LIVRES. Mas é também o mesmo NÃO AMOR causado pelo asfalto estéril, que rompe um ciclo, que impede a terra de ser forrada por folhas, a semente de ser acolhida e germinar, a chuva de escorregar até as raízes e os alimentos de caírem do céu. Esse é apenas um sussurro dos gritos que estão por vir, de uma voz que NÃO vai calar. NÓS vamos agarras as escolhas que NÓS queremos. Fazer silêncio ou barulho que NÓS acharmos que devemos. SER LIVRE É SER CRIATIVO.

POR CAROL DORO
O convite para realizar esse ensaio fotográfico, me permitiu expressar em uma linguagem especifica, sem
padrões ou regras, mas com muito experimentalismo, questões que nos engolem diariamente. Mais uma vez
através da fotografia foi possível criar e representar com simples recursos uma forma de ver, de sentir e de
manifestar. A visão que tive desse ensaio, é embasado em uma experiência verdadeira de uma gestante que antes mesmo de estar grávida certos pensamentos já permeavam sua mente, a partir do momento que se dá conta acentua-se a sua forma de repensar o mundo e como as amarras estão presentes em nossas vidas, e que a todo o momento tentamos nos livrar delas, o que acreditamos que é o amor, nem sempre é o amor de verdade, são amarras
que a sociedade nos coloca e assim crescemos lutando o tempo todo contra elas.Fotografias embasadas no Manifesto do Não Amor
idealizado e escrito por Tomate (modelo das fotos).
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